Especial

Eyad Abuharb: Sírio Brasileiro

Ele chegou ao Brasil há três anos, depois de viver no Líbano e Jordânia, fugindo da barbárie que se estendeu na Síria com a guerra civil e agora é dono de um restaurante de sucesso no Brás, SP.

Apesar da grande demanda, Eyad não se assusta, está acostumado, pois antes de ser chef do New Shawarma na Rua Barão de Ladário, 907 – Brás, fazia mais sucesso ainda em sua cidade natal Damasco, Síria.

Ele chegou ao Brasil há três anos, depois de viver no Líbano e Jordânia, fugindo da barbárie que se estendeu na Síria com a guerra civil travada entre o regime de Bashar al-Assad, grupos rebeldes, o extremista Estado Islâmico e potências estrangeiras como EUA e Rússia.

Teve que deixar mulher e filhos, aqueles que lhe fazem mais falta e não lhe fogem do pensamento nunca, mas que devem vir ao Brasil no ano que vem. Se vierem, será para ficar, Eyad se apaixonou pelo país, principalmente por São Paulo. Quando vai ao litoral, reviver os tempos de nadador na Síria, em pouco tempo já sente um desejo enorme de voltar para sampa.

Seu amor pela cidade é fruto da forma como foi recebido aqui. Desconhece o que seja xenofobia, pelo contrário, além do visto gratuito e facilmente adquirido, conquistou amigos de todos os tipos e se empenhou para entender o português e logo conseguir trabalhar.

TRADIÇÃO

O tio e o avô de Eyad eram cozinheiros também, a tradição de fazer shawarmas foi mantida por Eyad e sem ter que cursar alguma faculdade de gastronomia. Explica que as shawarmas para os sírios são o que as coxinhas são para nós paulistanos. A versão feita no Brasil teve incrementos, como o tempero baiano, o restante que compõem o preparado que temperam as carnes de sua lanchonete é tratado como segredo de Estado, e com razão.

CLIENTES

Os clientes vêm de todos lugares, há aqueles que trabalham ali perto, os que estão de passagem e também os ilustres, como o chef brasileiro Henrique Fogaça que comanda o SAL Gastronomia e já experimentou os quitutes do refugiado sírio. O encontro dos dois foi fotografado e é orgulhosamente estampado ao lado de matérias de jornal na parede do pequeno restaurante.

“ALMOÇAMOS AQUI TODO DIA JÁ TEM UM MÊS”

Gabriela (27) e Julio Texeira (28) trabalham na região do Brás e há um mês almoçam no New Shawarma. Gabriela diz que poderia comer ali todos os dias. Julio já é cliente assíduo. Ao ser questionado sobre seu prato favorito titubeia, mas logo responde, “São todos! Qualquer um que ele fizer eu como. O tempero com certeza é o grande diferencial”.


“VIM DE OSASCO E VALEU A PENA”

José Luiz (58) percorreu cerca de 23 quilômetros para comer o shawarma do chef Eyad. Ele já havia visto o restaurante em reportagens da imprensa e prometeu para si mesmo, na próxima vez que fosse ao Brás pararia no New Shawarma. José não só cumpriu a promessa como aprovou: “Está uma delícia”.


“MORO EM LONDRES E ESSE É O MELHOR SHAWARMA QUE JÁ COMI”

A brasileira Elaine Assis (43) mora em Londres com o seu marido sírio. Ela aproveitou seus últimos momentos no país comendo shawarma no Brás, que segundo ela é o melhor: “Já comi em Londres, Turquia e Egito. O melhor é do Eyad Abuharb”.

 

EXPANSÃO

Hoje Eyad Abuharb possui dois projetos, um é a possível criação de franquias e o outro é disseminar o que vende não é churrasco grego. Apesar de ambos serem carnes temperadas em um espeto vertical, o churrasco grego é um blend de carnes de baixa qualidade, enquanto as utilizadas por Eyad são peças únicas (geralmente coxão mole) e bem temperadas.

O cardápio do New Shawarma oferece falafel’s, shawarmas de frango, carne ou misto, além da opção vegetariana. Tudo a preços convidativos. As cervejas que estão à venda demonstram que o chef e seus 3 funcionários (refugiados sírios) não possuem à rigidez corânica, que veta o consumo de bebidas alcoólicas.

SÍRIA

Eyad tenta evitar ver imagens da Síria atual, gosta de preservar a lembrança do país antes da guerra, para ele a Síria era um dos melhores lugares para se viver, afirma que com $200 mensais uma família podia ter uma vida confortável, “Antes da guerra ninguém nem imaginava sair da Síria”.

 

Produzido por Augusto Conconi & Vitor Guedes